6 de dez de 2015

Suicida



Ele estava com um problema que parecia não ter mais fim. Estava falido e as dívidas se acumulam como água perto de bueiro entupido. Decidira que iria matar-se, decidira e pronto.
Mulher e filhos haveriam de compreender, a vida para ele era um tormento sem fim, horas e horas de angustia e dor.
Mas o problema que parecia não ter fim era exatamente este... Como matar-se? Julgou a principio que sem bebida não teria coragem suficiente, então na primeira tentativa comprou uma garrafa de vodka e a bebeu num gole, ou dois, não importa, mas bebeu e sentiu-se ótimo! Era invencível, no dia seguinte começaria vida nova, não havia motivos para matar-se. Era um homem feliz.
O drama, é que pelas manhãs, cheio de ressaca e dor, voltava a ser um lixo.
-Hoje vou me matar, não preciso beber, vou me atirar do prédio, será hoje!
Mas na hora H sentia que era preciso beber, sem bebida, sem coragem, comprou algo mais leve, um vinho, bebeu-o inteiro, olhou pela janela de onde planejava se jogar e achou as estrelas lindas, sentiu uma nova força interior, o vinho de Dionísio deu-lhe consciência que poderia mudar seu destino, assim dormiu confiante.
Nos dias que se seguiram era a mesma coisa, bebia pra criar coragem pra morrer e a bebida parecia lhe dar vontade pra viver. Um flagelo tal como Sísifo, Tântalo e Prometeu.

De cirrose morreu.


Por Vivian Guilhem
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26 de out de 2015

Uma carta para seu novo amor...



Para conquistar seu coração finja, ao menos de início não deixe que ela perceba que você a quer desesperadamente, ela também vai fazer de conta que não está percebendo nada. Mas ela sempre sabe. Ela irá te confundir o tempo todo, você nunca ouvirá da boca dela o que quer, e terá de conviver com isso. Em compensação quando, num momento fora de contexto, ela disser "eu te amo", será o instante mais mágico de sua vida. 

Você terá que testá-la a todo o momento, porque nunca se sabe como irá reagir a uma ação e ela raramente irá lhe dizer. E caso goste de algo, você saberá, pois, por mais que ela te confunda, seus profundos e negros olhos nunca conseguem mentir. Mas não se engane, nem sempre o que a faz feliz hoje, a fará amanhã, ela é um grande enigma e você terá que decifrá-la cuidadosamente todos os dias. 

Quando ela ficar nervosa, mantenha a calma, embora pareça, ela não morde. Usará palavras duras que para ela não significarão nada além de palavras, mas para você serão como facas cravadas no peito, porque ela saberá exatamente como atingir. Tente não sofrer por isso, logo se arrependerá e irá tentar recompensar como puder. E amigo, ela pode muito!

Caso ela te empreste uma grana, devolva. Rache direitinho as contas. Ela não gosta de gente "folgada" e vai contar várias vezes, indignada e de um jeito lindo, a mesma história das pessoas que se hospedaram na casa dela e não pagaram a pizza, etc... Mas com certeza ela irá esquecer aquela grana que você emprestará um dia, não por mal, por esquecimento mesmo. E por essas e outras você ficará cada vez mais apaixonado por ela.

Honre sua palavra, embora não exista nenhuma garantia de que ela honrará a dela, mas esse suspense é o que torna tudo deliciosamente irresistível.  

Dê presentes a ela, seja carinhoso, porque ela gosta e merece ser mimada, mas não exagere. Ela te quer ativo, mas tenha certeza de que ela quer mesmo é ter o controle de tudo, embora por vezes te deixará pensar que quem tem o controle é você.

Aprecie o trabalho dela. Não pra agradá-la, mas porque você irá conhecer a grande profissional que é, e isso o fará se orgulhar de estar ao seu lado a cada segundo. Instigue sua inteligência e você irá compreender o verdadeiro significado do infinito.

Viaje com ela, e saiba que não será apenas uma viagem comum, mas uma jornada louca, cheia de emoções e totalmente inesquecível. Mas lembre-se de anotar o nome da rua em que deixarão o carro e não confie totalmente no GPS de celular que ela insistirá em usar. Ah, e quando saírem pra caminhar juntos coloque um chinelinho escondido entre suas coisas, com certeza ela irá precisar e os pés dela lhe serão eternamente gratos.

Não tenha medo de ousar o tempo todo, tanto de dia, quanto de noite, ela odeia monotonia e com ela essa palavra nunca terá sentido. Ela te seduzirá de formas diferentes a todo instante e te aconselho a fazer o mesmo.

Então se dedique! Em troca ela o levará a mergulhar tão profundamente e tirará de você sensações que antes desconhecia, e isso fará com que as outras pessoas que você amou ou possa vir a amar percam completamente o significado e pareçam péssimas de cama. Um dia isso passa...

De vez em quando dê um carinho de leve, mas tenha a mão firme e faça com que ela se sinta segura com seu abraço, mas saiba que você aprenderá a conviver com a insegurança todos os dias e todos os dias pensará ser o último ao lado dela, e é bem capaz que seja, pois a qualquer momento ela poderá deixá-lo. Então irá fingir que nunca te amou e vai parecer que quem perdeu o significado foi você. E isso te matará um pouco... 

Mas tudo valerá à pena. Acontece que pessoas brilhantes e especiais como ela não pertencem a ninguém e é isso que as faz o que são. Mas tenha certeza, os dias ao lado dela serão os melhores e mais felizes de toda sua vida. 

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5 de jun de 2015

Pensar dói...



Pensar dói, enjoa, cansa
Ler? pra quê ler?
Mais fácil é ver imagem, bobagem, insignificância
Porque pensar dói, maltrata, cansa
Pra quê vir à luz? melhor ficar à sombra
Mais fácil é ser banal, bossal
Ócio colossal
De gente tosca, mansa
Porque pensar dói, dá medo, cansa
Mais fácil ser conduzido por quem pensa,
Quem sabe ler
Pela ganância
Porque pensar dói, dá preguiça, cansa
Então descansa!
Mais fácil assistir TV, 
E morrer sentado na poltrona
Da ignorância.
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3 de jun de 2015

Arte ou Piada?

Uma reflexão sobre arte e conceito de beleza... 


O mundo ocidental de antigamente acreditava e pregava que o objetivo da arte era apenas o de ressaltar a beleza, a simetria, a aparência perfeita do Homem e da Natureza. Considerava-se então, a beleza como virtude. Fica visível em obras artísticas de várias épocas, transmitida em belos rostos simétricos e corpos esculturais. Até mesmo alguns filósofos da antiguidade classificaram a beleza estética como algo essencial para o desenvolvimento da visão de mundo, e da essência do ser humano.

O século XX derruba este conceito, mudando o foco, da aparência estética perfeita em elementos mais profundos, tornando-se praticamente rudimentar, reforçando traços perturbadores do ser e da natureza, que passam a dialogar diretamente com outras sensações. A quebra de paradigma, de tabus, a ideologia e os protestos tomam proporções maiores sobre a arte. E passa-se a destacar também a feiura, a deformidade, a pobreza e a loucura.

Existe um documentário chamado “Why Beauty Matters”, produzido pela BBC e apresentado pelo filósofo, escritor e especialista em estética, Roger Scruton que trata deste “abandono” da beleza nas artes modernas e no que isso afeta a execução da arte e o modo como a vemos nos dias de hoje. No documentário, Scruton questiona o tempo todo algumas obras modernistas, dadaístas, expressionistas e cubistas.

Dentre muitas, ele destaca principalmente “O Urinol”, de Marcel Duchamp, pioneira, de 1917. Trata-se de um simples urinol de porcelana branco, tomado de um depósito qualquer, assinado pelo artista, que se tornou uma das obras mais representativas do dadaísmo na França e no mundo, cujo valor comercial estima-se em inacreditáveis 3 milhões de dólares.

Scruton questiona qual teria sido a verdadeira intenção de Duchamp. Protesto? Arrogância? Revolução artística? A resposta fica em aberto, porém, é possível concluir com o filme, que “O Urinol” de Duchamp abre uma porta essencial para um novo tipo de arte, que não censura, ao contrário, liberta. Então ganhamos outras obras igualmente absurdas como: “luz que acende e apaga”, “lata de fezes” e “pilha de tijolos”. Objetos completamente “estúpidos” do cotidiano, em quaisquer circunstâncias, tornam-se arte sob as assinaturas de renomados artistas. Scruton vê nisso a banalização da arte e o esquecimento da beleza e da espiritualidade artística.

A partir daí, não há diferenciação entre quem é de fato um artista e quem não é, já que parte somente de uma ideia criativa e não da execução em si. Habilidades manuais tornam-se obsoletas e optativas.

Voltando ao urinol, Duchamp ironicamente haveria debochado da Arte, alegando que propositalmente trabalhou para depreciá-la, uma vez que a força da expressão o incomodava. Há, então, a quebra do paradigma e o processo de transformação da Arte, a partir deste novo conceito, iniciado por Duchamp e por outros artistas “subversivos”.

Imagino que Duchamp, com sua “piada”, realmente não tenha tido a menor ideia da proporção que viria a obter, e que sua crítica foi bem mais além do que se presume. A partir disto, a Arte passa a valer para todos e a beleza pode ser sentida ou apreciada nos mais diversos âmbitos e situações. Duchamp mostra, de forma um tanto debochada, porém ousada, que se pode ver beleza naquilo a que não se via antes e que tudo é uma questão de parâmetro. Isso talvez tenha aproximado um outro tipo de público, culturalmente “marginalizado”, menos elitizado, e talvez tenha aberto caminho para um novo olhar sobre a arte e sobre como a beleza é vista pelo mundo. E também, dá início a discussões intermináveis e um mar de críticas e de novos críticos. (Penso no quanto Duchamp deve ter sido responsável por novas vagas nesse campo...). 

O feio não é agradável aos olhos, mas perturbador e difícil de ser encarado. É mais fácil suavizar o olhar com coisas belas e “retilíneas”. Mas a arte imita a natureza, e a natureza é repleta de imperfeições, sinuosidades e possibilidades. A nova arte, iniciada por Duchamp, nos aproxima desta realidade num convite à reflexão, a interpretação, trazendo à luz o caos e a desordem, à entropia. A partir disso, feiura e beleza, perfeição e imperfeição se fundem, como a própria Natureza que se completa em ambos. O urinol pode não ser considerado pela maioria como arte, mas podemos concordar que é o estopim, a erupção deste novo conceito, onde o público deixa de ser passivo e torna-se atipicamente ativo. A arte passa a ser, não somente contemplada, mas analisada, pensada, incorporada ao dia a dia, a vida de quem a aprecia.

Roger Scruton critica esse tipo de arte por preocupar-se com a perda dos padrões de beleza, a perda da essência que é a criatividade, com o culto à feiura e a possível falta de concretude dos artistas modernos. Além da comercialização e consumismo que toma conta do mundo, com a industrialização da arte.

Talvez estes padrões de beleza que Scruton insiste em sustentar, tenham se modificado naturalmente a partir do século XX, juntamente com as mudanças ideológicas é sociológicas. As transformações culturais. A beleza está atrelada ao gosto, e nos tempos modernos a liberdade possibilita que cada ser humano tenha o seu e lute por ele. Por isso é muito delicado julgar o que de fato é a beleza e quem deve ditá-la. E nem sempre foi assim. Hitler impôs seu conceito de beleza, excluindo aquilo que não se encaixava em seus padrões e o resultado é degradante, trágico e hediondo. Não somente centenas de obras de arte foram destruídas, como pessoas com deformidades, deficiências físicas ou mentais foram mortas deliberadamente em nome da beleza e do que ele julgava como verdade artística absoluta.

Quem pode definir o que é Arte?

A arte não é exatamente a beleza, nem o culto à feiura ou a utilidade cotidiana criticados por Scruton. A arte é um retrato real da natureza, da liberdade e da expressão humana, onde tudo é imaginável, tornando uma de suas possibilidades mais valorizadas, a "beleza", relativa e tangível, mapeada pela forma como a enxergamos, particularmente e culturalmente e não como os críticos querem impor. Arte não é exatamente um nome assinado em um vaso sanitário ou um belo corpo esculpido em mármore, ou a interpretação do indivíduo que a observa, mas um terceiro elemento: a contemplação entre os dois mundos e seus efeitos. É a pura essência da causa e da proximidade entre público e artista, independentemente do formato, seja na beleza de uma antiga escultura grega ou numa insignificante lata de excremento, o que determina a arte é o sentimento.

Não quero aqui, contudo, desprezar as classificações artísticas, ou banalizá-las, rotulá-las como bem entender, empacotá-las numa mesma embalagem, sem o menor senso crítico, pressupondo que qualquer objeto pode ser classificado como arte. Entendo que um objeto de utilidade, produzido em série, não significa arte quando apenas cumpre seu papel. Uma cadeira é apenas uma cadeira dentro de uma sala de aula, por exemplo. Mas, uma única cadeira, pode tornar-se arte quando há uma intenção, uma proposição, uma simbologia cultural, uma narrativa por detrás de sua existência e a impressão que irá exercer nesta proximidade entre artista e público. Quando há essa sensação, quando há comunicação interpretativa, quando há um tipo de toque sensitivo, uma hipérbole, uma catarse, então é arte, e pode ser bela.

Em suma, Scruton defende a ideia de que estamos nos afastando da beleza, em detrimento do que é útil, consumível, prático e tecnológico. E “culpa” o dadaísmo, o cubismo e o modernismo por isso.

Mas fica minha reflexão de que, estes padrões, estão culturalmente se modificando e de que estas mudanças nunca representaram um desastre artístico, mas uma adaptação do que é prático ao que é sensível, ou vice-versa.

A beleza da pobreza, do desalinho, do mau gosto, do avesso, da podridão sempre existiu, esteve evidente o tempo todo, esperando o momento de escorrer pelo mundo, Duchamp só deu a descarga...

Texto: Vivian Guilhem
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2 de jun de 2015

Frieza II

O pior frio não é o que vem da janela, mas da indiferença...


Dias cinzas, amores cinzas...
Da janela o movimento tenso, balanço de árvores retardadas
Mil flores geladas
A luz difusa revela a frieza 
Suas respostas sem graças
Seu amor nublado
Aquele que parecia lindo, hoje é neblina, passado...
Que era leve e o verão arrastou...
Que o mar afogou, entre continentes
Que entorpecido de males, habita este coração aflito
Na esperança da cura inexistente
E entre placebos e enganos, 
Dilacerado, esquartejado
Sobrevive, insistente.
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14 de mai de 2015

O amor não é complicado, as pessoas é que são...


Ele não depende disso ou daquilo. Ele não é passageiro, não busca completar-se, pois nasce completo em si. Não necessita reciprocidade. O amor simplesmente acontece e não há porquês. Não há momento, nem motivos e seu antagonismo é o vazio e não o ódio. O ódio, por sua vez, também pode ser amor. Tamanha é a abrangência de seus sentidos e reações.

As pessoas sim complicam o amor.

O ser humano é complexo e despeja turbilhões de responsabilidades sobre Ele. Responsabilidades que não o cabem, sérias ou banais, burocráticas... Colocam preço, atribuem valor, o transformam em moeda de troca, em mercadoria, em contas a pagar. O carimbam em papéis cheios de assinaturas, em tratados constituídos... Fazem dele política.

O amor não está atrelado à vida, nem à presença física. Ele não depende de contato algum. Ele não precisa do tempo nem do conhecimento, nem ao menos de intimidade ou afinidade. Ele não requer explicações. Ele não exige lucidez.

Cobranças, dependências, culpas, saudades, desejos, necessidades, disputas, vaidades... São sentimentos ou condições humanas mutáveis, alheios ao amor, passíveis de controle e de extermínio. 

Mas o amor permanece. Ele é maior que o ser, por isso não nos possibilita controlá-lo, quantificá-lo, modificá-lo, diminuí-lo, decliná-lo... 

É como estar debaixo d'água, quanto mais se debate, mais se afoga. E que morte! 

Ele nos eleva. E não resta outra alternativa, senão desfrutá-lo.

Todos os outros sentimentos fazem de nós "Realidade", o amor nos faz "Divindade".


Vivian Guilhem

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5 de mai de 2015

Quando eu tinha um rádio na cabeça...


Na minha infância as coisas não eram assim tão fáceis. Não como deveriam ser para uma menininha mais sensível que todas as outras. Meu pai até podia nos obrigar a ir cedo pra cama, mas ele não podia obrigar a minha cabeça a parar de falar. E ela até que fazia um falatório bem simpático, falava de um mundo fantástico, paralelo, onde eu era uma guerreira que montava um hipogrifo, e que salvava outras crianças de seus pais igualmente bravos, e que aquela identidade de menina de cinco anos, era somente fachada pra esconder meus segredos heroicos.
Naquela época o silêncio não era meu amigo, tampouco a penumbra. Formavam um casal muito sarcástico. Eles percebiam o meu medo e zombavam de mim. Criavam rostos, formas e sons tão assustadores que se faziam reais ao meu entendimento. E nada mais assustador que os barulhos que o silêncio faz! Eles acabavam por impulsionar em mim a súbita coragem de largar minha cama, atravessar a casa toda e correr para o quarto da minha mãe, que me acolhia de tanta dó. Isso quando eu tinha a sorte de não ser expulsa pelo meu pai.
Ah mas o que eu nunca vou esquecer é aquele rádio... Havia dentro da minha cabeça um rádio que não me dava opção de "liga ou desliga", nem de mudança de estação. Era sempre o mesmo ridículo jogo de futebol, narrado freneticamente por um locutor acelerado, ou um diálogo incessante entre homens, quase impossível de compreender. Felizes as vezes em que eu sim, me desligava dele e conseguia desviar minha atenção, ignorar e dormir. Foi tanto que reclamei do meu rádio interno que minha mãe marcou uma consulta ao doutor. Ele nos explicou sobre a possibilidade de alguns cérebros mais sensíveis, captarem ondas de rádio. Foi então que entendi que eu podia ser mais "sensível" que as outras pessoas. Concluí também ser provável que a identidade secreta de guerreira alada fosse verdadeira e não conversa fiada da minha cabeça tagarela. Procurei não pensar muito sobre os barulhos e rostos...
Aos poucos meu rádio interno foi ficando fraco, algumas vezes, mais tarde, cheguei a escutar uma música, que logo desapareceu. Por certo meu rádio era à pilha e se acabou...

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14 de abr de 2015

a escritora, a cozinheira e o descobridor.

(Uma história quase verídica sobre Gertrude Stein)



Alice virava o marreco de um lado para o outro na travessa, dava-lhe umas palmadas, sacudia, regava...

-Hoje eu preciso muito de você, não me decepcione! Exclamava ela à ave, já toda depenada, envolvida em temperos verdes que delicadamente colhera em sua horta. Neste dia o preparou com maior perfeccionismo que o de costume. A noite será de encontro com ilustres amigos, de paladares exigentes.

Entre eles estão grandes artistas, pintores, escritores e intelectuais do momento, de várias partes da Europa, e a reunião deverá ser bem sucedida, como sempre. O Marreco com chucrute que prepara é o favorito de sua companheira, a célebre escritora Gertrude Stein.

Alice preocupada, pensava em Gertrude, que não andava bem. Acabara de fazer um mês que sua obra, escrita em conjunto com a companheira, fora publicada, “Autobiografia de Alice B. Toklas”, e ainda não fora criticada por Herbert Lowell, afiadíssimo crítico literário americano, conterrâneo da autora.
Lowell costuma ser categórico e um tanto perverso nas críticas que publica para o jornal "C. Times" a respeito de Stein. Suas alegações sempre a colocaram como uma “impostora”, contestando sua genialidade.  Segundo ele, sua maneira surrealista, abstrata, quase "cubista" que tanto a diferenciou dos demais, nunca o envolveram nem o convenceram e não se sustentarão por muito tempo. A seu ver, o modo da “escrita automática” de Stein chega a ser vulgar e a tendência é que toda sua forma experimental se esgote e acabe caindo em lugar comum, vendendo-se para o mercado comercial, como já acontecera gradualmente em suas últimas publicações. “Gertrude Stein, cada vez mais vem caindo na centralização e falsificando os princípios modernistas da literatura”, escreveu.
Suas críticas sempre irritam Gertrude, embora não admita. E Alice tenta distraí-la e de toda forma, agradá-la.

As duas senhoras estão acostumadas a  receber visitas de amigos famosos em seus jantares, dentre eles, Juan Gris, artista plástico Madrilenho. E também um dos melhores amigos de Gertrude, o grande Picasso. Além de  Hemingway, seu aprendiz. Mas hoje, especialmente, terão a presença de Cecil Beaton, jovem fotógrafo britânico, famoso por suas fotografias conceituais. Cecil deseja capturar o mundo de Gertrude, retratar sua história, o companheirismo, desvendar o mito da relação amorosa não convencional. Cecil considera a imagem romântica das amantes subversiva e isto o fascina. Gertrude por sua vez, busca causar algum impacto feminista com a repercussão dos retratos. 

-O marreco não ficou dos melhores. Diz Alice á companheira, que tenta entreter-se com os cães.
                     
-Tenho certeza que ficou maravilhoso como sempre. Aposto que esses dois irão adorar! Diz Gertrude, dirigindo-se aos dois cãezinhos que se esgueiram do sofá atrás de um grande osso, atirado por sua dona.

Os cães são também suas paixões, hierarquicamente seguidos da escrita e depois, de sua doce Alice, que finge não se incomodar com o segundo lugar nesta disputa.

Gertrude é ao mesmo tempo complacente, apaixonada, ácida e fria. Masculina, dum semblante altivo e magistral, aparenta por vezes um general e noutras, um trovador apaixonado. Alice tem a aparência de uma cigana, de postura  serena e forte, possui marcantes traços femininos os quais redesenha com uma maquiagem sutil. Adora preparar pratos que inventa na cozinha, ao mesmo tempo em que cuida de todos os interesses de sua amada com a maior disciplina e organização que o trabalho exige. E como ama Gertrude! Sua dedicação é impecável e por vezes idílica.

As pessoas as conhecem e as respeitam, ainda que o preconceito exista. O peso do tabu carregam com facilidade.  A marginalização vinda da sociedade não as incomoda, ao contrário, Gertrude quer mesmo é subverter. Sabem se impor, vivendo com todo mérito e pompas do mundo machista de sua época.

As duas mulheres conheceram-se em Paris, na exposição de Matisse, amigo em comum que as apresentou. Mas foi num jantar oferecido pelo amigo, que Alice preparou o tão falado marreco com chucrute, prato típico da culinária Alemã, o qual aprendera com a esposa germânica de seu tio, e assim ganhando de vez o tão enrijecido coração de Gertrude Stein. Esta já havia notado atributos na exótica Alice que lhe interessavam, e com "certas intenções", convidara para sua secretaria particular, afinal, são poucas as mulheres capazes de despertar seus cinco sentidos em uma única noite. Alice aceitou de imediato, considerando que seria curioso trabalhar ao lado de uma mulher misteriosa, tão cheia de peculiaridades e de tamanha genialidade. Com pouco tempo, veio o amor. E  esse enlace profissional/matrimonial perdura então por 25 anos, desde a noite do perfumado marreco com chucrute.

Com a chegada dos convidados, a noite corre descontraída e o sucesso do Marreco é como sempre certeiro. Cada garfada de Gertrude é como um estímulo ao coração. E nesta orgia gastronômica, todos os presentes parecem igualmente fisgados.

Alice sorri satisfeita.

Cecil, o fotógrafo, está encantado com o cenário moderno e comtemplativo da casa das duas senhoras. Nas enormes paredes de altos pés direitos, decoram suntuosas telas de artistas famosos, muitos ali mesmo presentes, também em "carne e osso". As obras são de valores inestimáveis que chega a doer-lhe as têmporas observar cada detalhe ou tentar atribuir preço à coleção. De qualquer forma, Cecil está atento aos gesto e movimentos de suas futuras modelos e à decoração da casa, que auxiliam no traçar de um perfil do casal de lésbicas a fim de escolher os melhores ângulos, valorizando tamanha idiossincrasia de imagens.

Gertrude chega a esquecer por alguns instantes sua ansiedade com relação à crítica de Rowell, afinal, a noite foi brindada por elogios a seu trabalho e à sua pessoa.

Os dias percorrem ativos na frenética Paris. Cecil empolga-se cada vez mais com a nova empreitada e aos poucos seu ensaio vai tomando corpo e ganhando contextos dos mais diversos, que surpreendem até o próprio fotógrafo. O desvendar da personalidade de Gertrude Stein e Alice B. Toklas acontece diante de sua lente, como se retirasse pouco a pouco os véus da obscuridade. As fotos vão se desenvolvendo num misto de simetria e dismetria, satisfazendo intensamente o jovem. Em cada curva, traço, pose e movimento das protagonistas, Cecil sente como se descobrindo um tesouro artístico valioso.
Encerra seu trabalho com vanglória. E a certeza de que possui um dos grandes feitos de sua vida. Sente-se como um Picasso da fotografia.

Gertrude e Alice percebem, intrínseco nos retratos, algo particular que vai além de suas próprias imagens, a essência de uma terceira personalidade em conjunto, há muito esquecida. Alice acredita ser isso o Amor, Gertrude enxerga como a purgação do tempo, dos anos vividos, ali em suas imagens reunidas, Gertrude vê a própria vida. É isso que essas duas velhas mulheres formam juntas, o retrato da própria Vida.

Aquele descobrimento é de uma epifania tamanha, que Gertrude nem se importou com a crítica ruim de Lowell. O problema era mesmo com ele, faltava-lhe com certeza alguém para se preocupar ou para se amar. Naquele momento nada lhe arrancaria o brilho dos olhos, nem mesmo uma crítica ruim ou um marreco sem gosto.


Vivian Guilhem - abril de 2015
Imagem: Cecil Beaton
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10 de mar de 2015

Por quê mentimos?

Uma análise superficialmente profunda sobre a mentira...




Hoje me deparei com essa montagem do “Pequeno Príncipe” no Facebook, um trecho bem significativo do filme, que é baseado na obra de Antoine de Saint-Exupéry sobre o garoto que veio do Planeta B-612. Adoro esse livro! Acontece que esse diálogo e a lógica da raposa me fizeram vir à tona algo que eu pouco pensava: Por que afinal, mentimos?

Gostaria de poder responder, mas isso é fácil e difícil ao mesmo tempo. Mentimos para causar boa impressão, esconder segredos, conseguir um emprego, conquistar alguém, encobrir um amigo, causar danos ou amenizá-los, nos satisfazer... Ou seja, as respostas são inúmeras. Mas, a reflexão pode ir muito além disso. Qual a razão da mentira em si? Qual sua essência? Por isso resolvi buscar não exatamente as respostas, mas as conseqüências que isso traz e ainda, tentar tirar algum proveito deste “mau comportamento”.


Traçar um perfil da personalidade humana mitomaníaca como um todo acredito ser tarefa quase impossível, e seguir qualquer teoria sob ponto de vista de qualquer filósofo ou psicólogo levaria anos de estudo. Portando preciso de hipóteses pessoais, pois é o mínimo que posso ter. O que eu mesma, como pessoa, imagino ser essa essência que torna o ser humano inerentemente capaz de mentir.


Além de algumas pesquisas técnicas aqui e ali...


Bem, parto do princípio que dizer somente a verdade é tão ofensivo quanto escondê-la. Imaginem só se fossemos verdadeiros o tempo todo? As relações seriam desastrosas, portanto, partindo dessa premissa, concluímos que a mentira faz parte de uma relação saudável, claro, se usada com moderação. Verdades e mentiras na medida certa fazem parte da boa convivência humana. Mas afinal, qual é a medida certa? Difícil saber. Mas há de se analisar que ela, a mentira, nem sempre é tão mentirosa quanto parece. Se não sabemos exatamente o que é a verdade do mundo, que dirá o que não é!


A mentira tem razões que a verdade desconhece e muitas vezes ela diz mais a respeito de quem somos do que podemos enxergar. Essas inverdades que contamos, são capazes de revelar medos e inseguranças, dados e características de nós mesmo que desconhecemos.


Além do mais, mentimos muito mais para nós mesmos do que aos outros. Segundo estudos de universidades americanas, nossa mente está criando dissonâncias cognitivas entre nossos pensamentos contraditórios o tempo todo, ou seja, a cada instante acontece um “bug” em nosso cérebro.


Vou explicar com um exemplo: Quando somos obrigados a executar tarefas das quais não gostamos nosso cérebro começa a buscar razões interessantes pela qual estamos praticando aquilo e o trabalho começa a ficar realmente mais interessante. Qual é o problema disso? Afinal, se o cérebro transforma tarefas monótonas em coisas bacanas como se fosse mágica, qual é a desvantagem? Nenhuma, a não ser o fato de que ele faz isso, na maioria das vezes, sem o nosso conhecimento. E, quando você pensa sobre o assunto, a lista de situações em que esse “bug” do cérebro pode estar nos controlando só vai ficando maior.


Não consigo chegar à conclusão empírica nenhuma quanto a razão da pratica em si. De qualquer forma, penso que da mentira não há escapatória, quanto muito, podemos tirar proveito dela em nós e prestar mais atenção nos conflitos internos. Talvez isso nos aponte alertas pessoais, pedidos de mudança vindos de nossas mais profundas necessidades. Nada como o autoconhecimento!


Enfim, não adianta mentir pra você nem pra mim, você está mentindo o tempo todo, e nem sempre se dá conta. Entretanto, esse fato apenas significa que somos, nada mais, nada menos, que seres humanos. 
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6 de mar de 2015

Ser mãe ou não ser...

A possibilidade da escolha.



Você ainda não é mãe e as vezes entra em crise por isso? Não tem absoluta certeza do que quer? Sente que já está cansada pra cuidar de um bebê? Planeja tanto que acaba empurrando a situação? Fica esperando o parceiro certo e percebe que e o tempo está passando e o sonho ficando distante? Ou simplesmente não quer e as vezes se sente culpada ou pressionada? Então saiba que você não está sozinha!

Hoje li uma reportagem a respeito das mulheres estarem cada vez menos dispostas a se tornarem mães. Ao que me parece, a natalidade no Brasil está ficando mais tardia, ou declinando de vez. Talvez esse âmbito não seja apenas nacional, mas mundial. Todavia, ser mãe continua sendo o desejo da maioria das mulheres, ainda que não realizem de fato. Ali dentro de cada uma mora a sementinha do instinto maternal. E mesmo não tendo a certeza absoluta de ser um desejo pessoal ou social, o medo de um  arrependimento futuro, ou mesmo da solidão, pode ser impulsionadores de grande parte das mulheres  que engravidam.

Lembro-me de quando estive perto de completar 30 anos e ficava terrivelmente deprimida ao ver mulheres grávidas ou mães com bebês pequenos. Dentro de mim, naquela época, gritava o medo de estar "velha" demais para isso e mais pra frente, vir a me frustrar. Tenho uma teoria de que aos 30 anos toda água parada dentro de nós começa a “bater na bunda”, e as auto-cobranças surgem mais fortes  que nunca.

Começam as reflexões derrotistas do tipo: “cheguei aos 30 e não tive filhos”. Como se fosse a idade limite. Sabemos que não é assim, e que isso é apenas uma fase e passa. Os tempos realmente mudaram e pelo que dizem as estatísticas há cada vez mais mulheres tendo bebês depois dos 35, 40 anos. E numa idade mais madura elas parecem estar mais preparadas para esta tomada de decisão.

Mas ser mãe não é mesmo uma escolha fácil. Para muitas mulheres nunca foi uma escolha, simplesmente aconteceu. Aí não tem outra saída a não ser estar mesmo preparada. Mas quando passamos dos trinta sem essa experiência começamos a ponderar, a pesar tantas coisas na balança da vida que muitas vezes acabamos por desistir.

Os motivos que levam as mulheres a “empurrar” a maternidade costumam ser  a carreira (embora eu não concorde que seja um empecilho), a falta de estabilidade financeira, a desestrutura amorosa/familiar. Mas o medo do desconhecido ou simplesmente a falta de vontade são mais comuns do que chegamos a imaginar. A liberdade de escolha possível às mulheres nos dias de hoje encorajam a negação do que antes era considerado praticamente uma obrigação.

Não há problema algum em não querer ou não poder ser mãe. Não seremos menos mulheres que as outras por assim decidirmos. Essa é uma escolha ou uma consequência de cada uma e deve ser sempre respeitada. Na prática ainda existe um preconceito camuflado, geralmente partindo de dentro da própria família até o âmbito social. Infelizmente esse tipo de banalidade é bem comum, até, ou principalmente, entre mulheres.

Minhas reflexões são um tanto profundas e paradoxais quanto ao desejo em si. O que exatamente é querer ser mãe? As vezes pode ter uma conotação um tanto egoísta, afinal não escolhemos ser mães apenas para povoarmos o planeta, ele já está bastante povoado. Esse é um anseio pessoal, é íntimo, e pode estar ligado a uma satisfação do próprio ego. A vontade escondida por detrás de outros desejos, muitas vezes triviais. Por isso há de se perguntar qual o valor exato da maternidade pra cada uma de nós e se isso de fato é uma boa escolha, livre de qualquer indução por pessoas ou convenções. Há outra vida em jogo que necessita ser cuidadosamente planejada e merece ser respeitada antes mesmo de existir.

Se esse é um sonho real, liberte-se de medos, dependências, culpas ou desculpas e encare o novo.
Acredito que segurar um filho recém nascido nos braços é a grande catarse da vida de qualquer mulher e eternamente compensador.

Oxalá um dia, nós as "não-mães", tomemos a melhor decisão! E caso seja em favor da continuidade, que a vida nos brinde com a possibilidade e que não seja tarde demais.



Texto: Vivian Guilhem
Ilustração: Caroline Bonne
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2 de mar de 2015

Homens fofos, por que não?




Uma amiga que está solteira há algum tempo, conheceu um rapaz pela internet. Além de lindo, segundo descreveu, ele atendeu a todos os requisitos exigidos por ela no site de relacionamentos. Depois de algumas conversas, finalmente se encontraram.
O moço realmente tem tudo para ser um namorado perfeito: Possui lindos olhos, é muito carinhoso, educado, inteligente, se veste muito bem e de quebra é bom cozinheiro. Prontamente a levou a um ótimo restaurante e se prontificou também a pagar a conta.  Segundo ela, ele beija bem, tem boa pegada e rolou uma química entre os dois. Ao final do encontro, pagou o táxi e a deixou em casa terminando a noite com um momento romântico de despedida. Na hora seguinte já marcou presença com um recadinho no Whatsapp.
Pela manhã tratou logo de enviar um carinhoso “bom dia”, convidando a moça para um cineminha. Sem perder tempo, apresentou à família, tão fofa e perfeita quanto ele e mostrou seus dotes culinários. Ele foi tão, mas tão doce que a enjoou.
Após o final de semana maravilhoso que ele julgou proporcionar, foi largado, abandonado sem resposta alguma ao fim do mesmo dia. Perguntei pra minha amiga o porquê e nem ela soube explicar, disse que talvez goste mesmo é dos “Bad Boys” e devolveu a pergunta a mim.

Pensei aqui com meus botões e cheguei a uma conclusão meio clichê, mas a única que me ocorre no momento. Muitas mulheres preferem mesmo os cafajestes, que não ligam no dia seguinte, que mentem tão descaradamente, mas com tanta perspicácia que elas se deixam enganar e até gostam. Aqueles que exalam testosterona misturada a perfume masculino curtido no suor e que parecem ter saído de um filme de “racha” hollywoodiano.
Mas por quê? Por que as mulheres se atraem por caras assim? Bem, deve ser aquela velha história da natureza feminina; Um homem viril, gladiador, com cara de mal será capaz de protegê-la de qualquer coisa. Será eternamente forte, capaz de gerar filhos igualmente fortes e protegê-los também. Além do mais, aqueles, quase sempre cheios de músculos moldados dia a dia nos ferros da academia, devem mesmo proporcionar momentos de loucuras na cama.

Mas na prática sabemos que não é bem assim, ou é, isso vai depender dos outros atributos. E mesmo sabendo que uma coisa não tem nada a ver com a outra, o “radar” amoroso-sexual de algumas mulheres aponta sempre nessa direção. Não estou dizendo que é uma regra. Todo tipo de homem pode encantar a todo tipo de mulher. Mas por que o cara fofo, educado e inteligente foi rejeitado pela minha amiga? Talvez Freud explique... De qualquer forma, é um caso a se pensar... Talvez ainda seja aquele reflexo da sociedade machista a que fomos arraigados.

Esses homens fofos são tão especiais logo de cara, que podem chegar a assustar, já que estamos acostumadas a figura do homem machão. Mas o homem fofo pode ser tão forte quanto o musculoso, até porque nos tempos de hoje, proteção não está mais atrelada à força física, não estamos mais nos tempos das cavernas.
Um cara que se preocupa com seus sentimentos é muito mais protetor que o que se preocupa apenas com o próprio corpo ou em manter uma pose de mal. Além disso, pra que precisamos de proteção? Podemos muito bem viver sem um troglodita ao lado. Também não estou generalizando, existem homens fofos e musculosos.

O que posso dizer é que está cheio de mulheres inteligentes capazes de valorizar essas características fofas num homem. Acredito que minha amiga, com um pouquinho de paciência, poderá se libertar das “correntes” do machismo e dar uma chance ao doce rapaz. Tenho certeza que ela está com a sorte nas mãos e logo mais estará agradecendo aos céus pelas bençãos recebidas.

Homens fofos, por favor, continuem sendo fofos e multipliquem-se, eu e muitas outras mulheres gostamos mesmo é de vocês!



Obs. Se você achou o cara um pouco exagerado pro primeiro encontro, vale ressaltar que é um libriano! rssss
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1 de mar de 2015

Minerva


Sou aquilo que penso
Minha vida é formada e moldada
pelo que digo a mim mesma
Quem sou no mundo
é o que penso que sou
O que tenho no mundo
é o que penso que posso ter
O conteúdo de minha mente
é o que eu escolho
Eu descarto, corto, jogo fora
aquilo que não contribui para nada
O que os outros pensam de mim
é a história deles
e diz muito mais sobre eles
do que sobre quem eu sou
Na minha jornada
eu me certifico de que aquilo que carrego
seja de minha própria e cuidadosa escolha
e me sirva bem
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28 de fev de 2015

O Vestido, o Cérebro e o Relativismo

Esta semana na internet não se falou em outra coisa além de um vestido de festa postado por uma cantora em seu Tumblr.

A discussão era acerca de suas cores e tiveram pessoas se debatendo nas redes sociais, inclusive incomodadas com tamanha repercussão a troco de nada. Eu mesma a princípio não entendi, afinal era só um vestido branco e dourado, até que li alguns comentários, mostrei pra minha mãe a mesma imagem e pedi pra que ela me descrevesse as cores. A resposta que ela me deu foi: “preto e azul”.

Aí que tudo fez sentido. Aliás, não fez. Até então, eu acreditava tratar-se de alguma brincadeira. Mas minha própria mãe não iria querer me enganar, mesmo porque, ela também não sabia do que se tratava. Comecei a vasculhar a internet sobre explicações de como as pessoas poderiam enxergar cores tão distintas numa mesma imagem.

Não sou especialista em ciência, nem medicina ou fotografia, mas pelo que entendi, nosso cérebro é que faz a codificação das cores que a retina identifica e o que vemos diferente depende do nível de iluminação e da variação da quantidade de receptores que temos de uns pros outros. Abaixo uma explicação do oftalmologista Dr. Ricardo Guimarães para o site http://info.abril.com.br/ pode ajudar a entender melhor:

COMO ENXERGAMOS AS CORES?


“Olho não vê cor. Quem vê cor é o cérebro”, diz Guimarães. Parece estranho, mas nossos olhos não distinguem as cores umas das outras. Quem faz essa distinção é o córtex cerebral, que interpreta as frequências de luz captadas pelas células do olho. 


No caso das cores, temos três tipos das chamadas células fotorreceptoras coloridas: vermelhas, verdes e azuis. Isso acontece porque essas três cores básicas (vermelho, verde e azul) podem ser combinadas para dar origem a qualquer outra cor. 


Indivíduos que possuem falta de um desses tipos de células são daltônicos, mas todas as pessoas possuem variações na quantidade de receptores de cada cor. “Essa variações podem chegar a até 16 vezes, fazendo com que o vermelho que você enxerga, por exemplo, seja diferente do que eu enxergo”, diz Guimarães. 


Portanto, as cores que enxergamos estão ligadas a diferenças fisiológicas (a quantidade de células que captam cores) e a diferenças de interpretação (a forma como o cérebro entende as frequências). E isso é subjetivo. 


AS CORES MUDAM CONFORME O AMBIENTE


“Toda cor muda de cor quando está perto de outra cor. Isso acontece porque o seu cérebro muda a forma como percebe as cores dependendo de quais outras estão próximas a ela”, diz Guimarães. 

“Experimente abrir um programa de manipulação de imagem, como Photoshop, e alterar a relação de brilho e contraste em uma imagem. Toda a figura mudará de cor. Na verdade, é seu cérebro quem está interpretando esses dados de forma diferente, baseado no contexto do ambiente."

Ou seja, o que determina a cor é a luz, e nosso cérebro codifica as cores de maneiras diferentes uns dos outros. Na foto do vestido houve saturação da luz e por conta disso, algumas pessoas com maior percepção de preto enxergaram corretamente, outras com menor nível das células fotorreceptoras têm maior dificuldade em perceber e o cérebro cria o que podemos chamar de ilusão de ótica.
Esse fenômeno não é uma futilidade, como li em alguns comentários no Facebook. Ele não só é bem curioso, como foi considerado por um cientista americano “a maior diferença individual vista por ele em mais de 30 anos de estudo”.

Sabemos que o estudo das cores não iniciou com os cientistas ou médicos, mas lá nos tempos antigos, com filósofos que já discutiam a complexidade das cores e de como elas são percebidas por cada ser humano distintamente. Então o que é o preto pra alguém, pode muito bem ser dourado pro outro.

A mim só faz reforçar a teoria do relativismo. Temos inúmeras impressões e interpretações acerca de um mesmo objeto, provando na divergência das cores do vestido que nem sempre a minha verdade pode ser a sua verdade. Para Protágoras, no diálogo platônico “Teeteto”, o homem é a medida de todas as coisas. Somos nós então, juízes de nossas próprias verdades. Saindo um pouco do âmbito das cores e interpretações cerebrais e pensando pelo lado cultural e das diversidades, realmente é um tanto perigoso atribuir um valor absoluto a qualquer coisa, a qualquer pensamento, visto que o tempo, espaço, clima e ambiente podem mesmo influenciar opiniões e pensamentos sobre um mesmo assunto. É complexo, eu sei, mas é um caso a se refletir...


Pensando nisso talvez devêssemos tentar respeitar um pouco mais a opinião alheia e também a nossa própria, ainda que sejam completamente diferentes. Algumas vezes discuti com minha mãe a respeito de cores de roupas, eu via preto, ela via azul-marinho, por exemplo. Depois desse episódio, sabendo que a cor real (ou relativa) do vestido é “preto e azul”, nunca mais vou duvidar dela!





Obs. Ao término deste texto, procurando a foto do tão falado vestido pra colocar no blog, me deparei com a realidade das cores preta e azul. Agora não consigo mais ver branco e dourado como antes. Nem mesmo a nossa própria visão é imutável!!!
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27 de fev de 2015

Ela se foi

Ela se foi...
E com ela, a plenitude dos meus sentimentos puros se foi
Se foi no tropeço, erro, inércia
Em tudo que profanei , na volúpia da matéria

Se foi nos adágios que deixei de ouvir
Na entropia dos meu dias
No istmo luto- do quando- uma alegria morria

Se foi nas noites libertinas
E do castelo que fiz, des-ritmada
Da areia mais duvidosa e fina

Ela se foi como se vão as esquinas
E as crianças viciadas
Sumindo nas curvas que urgem minha dor

E mais nada.
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25 de fev de 2015

Por que passamos os sinais errados a quem amamos?

"A Semiótica dos relacionamentos"




Você já parou pra pensar em como as pessoas interpretam suas ações? Seus sinais? E a forma como você os expressa?
Nas relações entre as pessoas é comum acontecer o que eu chamo de "equívoco dos sinais".

Primeiramente, devemos entender que comunicação não é somente a fala ou a escrita, mas todas as formas de expressão, sejam concretas ou abstratas. Uma imagem, uma foto, um gestual, uma atitude, a forma como você se movimenta, se veste, anda, dança, as músicas que ouve, seus gostos... Tudo isso e muito mais completam um conjunto de formas e expressões que podem ser interpretados como "sinais" e são capazes de emitir mensagens suas a todo momento, criando o conhecemos por "imagem". Essa imagem que passamos aos outros.

E é a comunicação o elo principal de qualquer relação, capaz de causar sentimentos completamente antagônicos, desde a admiração extrema à discórdia e até ao ódio, ou simplesmente à indiferença. Os seres humanos possuem grande dificuldade em expressar e interpretar esses sinais dentro de uma relação. Somos todos iguais, mas somos todos diferentes, pertencemos a mundos, pessoas, e ambientes diferentes que se fazem presentes na maneira como percebemos um ao outro. E uma relação amorosa por si só já é repleta de complexidades e diversidades, portanto a comunicação deve ser estabelecida como base, sem ela não há sustento. 
Tente perceber os sinais que você transmite com um certo cuidado, pois as interpretações podem ser inúmeras e por conseqüência, totalmente equivocadas quanto à ideia original. Uma mesma palavra ou um mesmo gesto possuem interpretações distintas que condizem com a forma de pensamento natural e específico de cada um. E nem sempre isso fica evidente. As vezes realmente nos passa despercebido. 

É inerente a maioria dos seres humanos o erro dos sinais e é comum dentro de uma relação amorosa induzirmos ao equívoco, conscientemente, muitas vezes praticando o que podemos chamar de “jogos sentimentais”. Isso porque somos cheios de questionamentos, inseguranças, carências e no geral, temos dificuldade de demonstrar nossos sentimentos. Eu diria que a maioria de nós foi criada para não demonstrá-los. Mas o amor é mesmo algo grandioso e ele assusta. Quem já se feriu uma vez, tem medo e por conseqüência, tenta se “proteger” de alguma forma, afetando justamente o principal sustento da relação, a comunicação.

Se seu relacionamento não vai bem, esta falha pode ser a causa central.
Mas como resolver? Listei abaixo alguns tópicos que podem servir como um convite à percepção:

Pare e pense!
Tentar identificar como você está passando seus sinais ao outro é um bom começo, se o que você diz e faz é exatamente o que você pensa e sente. Se não é, realmente está passando uma imagem errada e corre um sério risco de estragar sua relação. 

Tenha clareza! 
Você não é necessariamente obrigado a falar ao "pé da letra" o que pensa ou sente, mas ações ou sinais que não deixam sombras de dúvidas transmitem segurança e por fim, permitem ao outro saber o que você quer, quais suas intenções e permite também que ele conheça sua verdadeira essência. Os jogos sentimentais podem ser desastrosos. Por isso tente se perceber. Resolver suas próprias dúvidas e indecisões é o caminho para ser mais assertivo.

Não se sabote!
Muitas vezes queremos demonstrar, expor sentimentos, nos expressar, mas por timidez, insegurança, baixa auto-estima, complexos, ou por milhares de outros motivos, nos fechamos à isso, agindo de maneira completamente contrária ao que desejamos passar, afastando quem amamos. Isso é a famosa auto-sabotagem e ela é com certeza sua maior inimiga.

Seja empático!
Tentar se colocar no lugar, tocar o mundo do outro, entender sua linha de raciocínio e de pensamento também são fatores importantíssimos pra se ter um bom diálogo na relação. A empatia é a alma de uma afetividade harmoniosa.

Esclareça!
Perguntar não ofende, diz o ditado. Não tenha medo de esclarecer diretamente suas dúvidas em relação aos sinais que você está passando e recebendo do outro. Isso evita uma “bola de neve” de mal-entendidos.

Silencie quando for preciso!
O silêncio também é um sinal e deve ser aplicado com sabedoria. Certos momentos não são ideais para se resolver aquele assunto que ficou pendente ou mal-resolvido, ou mesmo de agir. Experimente e perceba este momento. Não se precipite, a pausa é sempre uma aliada. Mas que dure o tempo que precisar, somente até a  “poeira” abaixar, nunca se deve arrastá-la pra debaixo do tapete.

Evite repetir os mesmos erros!
Assumir os erros é sempre um sinal de força, não repeti-los o tempo todo é sinal de sabedoria. Errar pode ser uma boa maneira de se auto-conhecer, portanto é inteligente enxergá-los e transformá-los em experiências positivas. Seja verdadeiro, essa é a maneira de se obter uma resposta igualmente sincera, e também a melhor forma de conhecer o outro, evitando cometer os mesmos erros e evitando outros erros futuros. O Bom relacionamento deve-se sustentar na verdade e na coragem.

Lembre-se, ninguém lê pensamentos. Portanto manter sempre um diálogo franco, sem meias palavras, por fim, é a melhor maneira de se chegar a um equilíbrio.
O mais importante de tudo é ser autêntico. Se você ama alguém de todo coração, seja você mesmo e não tenha medo de ser sincero. 




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22 de fev de 2015

O pé na bunda




Analisando algumas situações próximas, resolvi falar sobre o famoso e tão temeroso “pé na bunda”.
Quem nunca?

O pé na bunda um dia vem, ele sempre vem.
E há muitas maneiras de encarar esse fato, mas o inevitável é que você vai ter que encarar, de uma forma ou de outra!

No princípio é um desastre. Você fica doente, com dor de barriga, desanimado, às vezes até com vontade de morrer, acreditando que nunca irá superar. Mas eu tenho uma boa notícia: Você vai superar!

Vamos partir do princípio que se ele aconteceu, o relacionamento ou nunca existiu, ou ia de mal a pior. Enfrentar a realidade é o primeiro passo para a superação.

A gente se ilude pensando “ruim com ele, pior sem ele”. Não! Nesses casos, o rompimento é a melhor decisão.

Parar de se iludir com um possível e remoto retorno também é um avanço importante. Não adianta persistir no erro, isso só vai ferir ainda mais os dois lados.

É realmente um inferno desejar alguém desesperadamente e sentir-se insignificante. Mas saiba: nada, nada do que você fizer vai afetar o outro nesse momento. Você irá se humilhar, se rebaixar e sua imagem vai ficar pior. E quando a mágoa passar e você desencanar, virá uma ressaca moral nefasta. Portanto, não corra atrás. Quanto mais você correr atrás, mais “nãos” vai ouvir e mais desesperado você vai ficar.

O ser amado por vezes é como uma droga. Você deseja cada vez mais e acredita que sua vida dependa disso. Mas confie em mim, sua vida NÃO depende disso! O tratamento ideal é encarar mesmo como um vício e tal como nas reuniões dos viciados anônimos, você irá enfrentar uma luta diária e por conseqüência, uma vitória diária. Cada dia sem procurar, sem enviar mensagem, sem postar indiretas no Facebook é um passo a mais para sua liberdade. E você vai perceber que com o tempo, aqueles pensamentos irão se dissipando, e as lembranças ficarão cada vez mais remotas.

Sim, porque isso que você está vivendo hoje é uma prisão. Esse sentimento simplesmente exerce controle sobre sua vida e o que você precisa é se libertar.
Pare de perseguir o ser amado! Esqueça o Perfil dele, para de entrar a cada 5 minutos em sua timeline pra ver se existe algum indício de que ele se lembra de sua existência. Em hipótese alguma tente chamar a atenção dele com frases ou imagens no instagram e simplesmente delete o contato dele do seu whatsapp. Aquela mania de ficar olhando no Messenger pra ver se ele está ou não on line ou há quanto tempo esteve é tortura psicológica e não levará você a nada!

 É preciso encarar o fim e viver o luto. Chore o quanto for preciso, coma chocolate, assista TV no sofá por alguns dias, mas depois, deixe os fantasmas do passado, levante-se e viva sua nova vida. Uma nova vida é sempre repleta de novas possibilidades, de novas pessoas, de novos lugares e um momento perfeito pra você tomar decisões e descobrir que aí dentro há um ser individual e que necessita se amar. Tenha amor próprio! Só o amor próprio é capaz de te fazer forte o suficiente para exteriorizar o que há de melhor em si mesmo. Só exercendo o amor próprio é que você será capaz de amar novamente.

E acredite, você vai amar novamente!

Num planeta de 7 bilhões de pessoas, não é uma única que tem o poder de te fazer feliz. A paixão te faz tão cego que você perde a memória. Esquece que já se apaixonou outras vezes, que já rompeu e que já chorou. E que inclusive achou que jamais esqueceria aquela pessoa, e hoje só de pensar no antigo amor, chega a dar risadas de si mesmo. Pois bem, num futuro nem tão distante, você estará rindo dessa situação e sentirá o quão a vida foi sábia em te fazer enxergar um novo começo. Enxergue esse novo começo!

E dê tempo ao tempo. Saia com seus amigos, faça coisas que você gosta, coisas que você abriu mão durante seu relacionamento. Retome antigas atividades, faça exercícios físicos, dance, ajude o próximo. Encare o mundo de frente, levante a cabeça e você enxergará um infinito de possibilidades que não consegue enxergar agora simplesmente porque direcionou sua visão em uma única perspectiva. Olhe ao seu redor e toque a felicidade que está em suas mãos, não nas mãos de quem não te quis.


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19 de fev de 2015

O amor ofende?

(um desabafo revoltado)


A humanidade parece estar se distanciando do amor. Antigamente haviam os trovadores, menestréis, serenatas, poesias... Era tão lisonjeiro ser o “alvo” de uma dessas calorosas demonstrações! O amor era uma loteria! Mesmo o sofrimento por amor chegava a ser bonito. Havia inclusive aqueles que se suicidavam por rejeição, por amor não correspondido, e era considerado um ato corajoso e romântico. 

Na idade média os amantes trocavam pulgas e piolhos  uns dos outros como prova de amor, era um suvenir, uma lembrança viva do ser amado, um gesto muito carinhoso. Crimes passionais também eram bem mais comuns, não que fossem bonitos, mas a pena era mais branda, tamanha a compreensão que recaía sobre o assassino, enlouquecido pela rejeição ou pela traição. 

Não precisamos ir tão longe, nos anos 80 o que se ouvia nas rádios era quase sempre músicas lentas e românticas. 

Na pré-adolescência da época, íamos a bailinhos ou discotecas e todos esperávamos ansiosos pra dançar coladinho, ou brincar a "brincadeira da vassoura". E vinham então os primeiros beijos os primeiros amores, as poesias deitadas sobre papéis de cartas decorados, escritas com canetas coloridas, com cheirinho de chiclete e beijinhos de batom, as fitas cassetes gravadas com canções que tinham “tudo a ver” com o contexto da relação, os bichinhos de pelúcia, os bilhetinhos... 

Isso tudo foi extinto, seja na adolescência ou na vida adulta, hoje em dia as declarações românticas foram banidas. Foi tudo rotulado como “brega”, piegas e enquadrado no sentimentalismo barato. Criminalizaram o amor!

Junto a Era Digital me parece ter vindo também uma nova Era: a do “Gelo Emocional”. Vamos combinar, as pessoas estão ficando mais frias. Há menos casamentos, menos romantismo, e quase nenhuma declaração.


Por algumas experiências pessoais e também de amigos, concluí minha tese de que o amor realmente incomoda. Correspondido ou não, ele agora tem limite e se você é um dos poucos românticos que ainda restam e quer tentar atravessar essa “barreira”, pode se dar muito mal. Você possivelmente receberá uma punição e corre o risco de cair no ostracismo sentimental.

Muito cuidado também ao usar a frase “Eu te amo”. Pra muitas pessoas ela soa perigosa, como uma arma apontada pra cabeça, traz consigo um "pacote" de palavras negativas como: Compromisso, prisão, cobrança, incômodo, assédio, drama, crise, choro, insistência, etc... 

É mesmo uma grande ofensa, ainda que você tenha tudo que encante o ser amado, ainda que ele ou ela tenha demonstrado estar tão apaixonado quanto você, qualquer demonstração imediata mais “sincera”, direta ou indireta, pode ser considerada um exagero, um passo em falso, e pode colocar tudo a perder.



Se a pessoa em questão não dá sinais nenhum de reciprocidade, redobre o cuidado. Ela correrá da sua vida imediatamente caso se sinta pressionada pelo "peso" do seu amor. Uma declaração como essa é tão perigosa que faz romper amizades e por vezes destrói a oportunidade de um possível futuro feliz a dois. É difícil pra "vítima" entender, talvez por desagradáveis experiências, que se pode estabelecer um vínculo saudável independente dos sentimentos envolvidos. 

Portanto meu amigo, se você ama alguém do fundo de sua alma, acalme essa ansiedade, vá “ganhando terreno”, não faça grandes demonstrações de imediato, e não fale de amor, simplesmente disfarce. Hoje em dia o amor incomoda, é considerado brega e é um privilégio dos relacionamentos estáveis e dos retrógrados. 

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